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Não Há Mais Trapézistas

Sau

No Hi Ha Trapezistes

Divuit mesos i un dia més,
es fa tan lent esperar,
ja no passen tramvies no,
ja no vaig ni a pescar.
Ja no borden els gossos
i han pleat els del circ,
ja no hi ha trapezistes, no,
i tu no véns mai per aquí.
S'ha parat el rellotge vell
de la nostra estació
i els ocells de la via tres
s'han rebel·lat contra tot.
I els diumenges a la tarda són
encara tan avorrits;
hi ha coses que no canvien mai
i tu no véns mai per aquí.
Un avió creua un tros de cel
i jo em sento morir,
aquests núvols no marxaràn
fins que arribi l'abril.
Tu ja no véns mai per aquí.
Ja no queden estrelles, no,
tampoc passen els trens
que ens portaven a casa als dos
després d'anar a trencar el gel.
I ja res és com era abans,
els avis diuen sovint,
les xafarderes van preguntant:
per què no véns mai per aquí?
I les nits, quan ja no fa fred,
torno a pujar al meu terrat.
Des d'aquí puc veure encara
aquest cel ennuvolat.
Tu ja no véns mai per aquí.

Não Há Mais Trapézistas

Dezoito meses e um dia a mais,
é tão lento esperar,
não passam mais bondes não,
não vou nem pescar.

Os cachorros não latem mais
e o circo já se foi,
não há mais trapézistas, não,
e você nunca vem por aqui.

O relógio velho parou
da nossa estação
e os pássaros da linha três
se rebelaram contra tudo.

E os domingos à tarde são
tão chatos ainda;
há coisas que nunca mudam
e você nunca vem por aqui.

Um avião cruza um pedaço de céu
e eu me sinto morrer,
esses nuvens não vão embora
até que chegue abril.

Você nunca vem por aqui.

Não restam mais estrelas, não,
também não passam os trens
que nos levavam pra casa os dois
depois de quebrar o gelo.

E nada é como era antes,
os velhos dizem sempre,
os fofoqueiros vão perguntando:
por que você nunca vem por aqui?

E as noites, quando já não faz frio,
volto a subir no meu telhado.
Daqui ainda posso ver
esse céu nublado.

Você nunca vem por aqui.

Composição: