Affaire Personnellle
A la Hitchcock, je traîne un suspens autour de moi
Benz, Porsche forment un idéal commun là d'où je viens
Poches vides, porches insalubres, escaliers, grilles
Spleens et routine grillent garçons et filles dans l'abîme
Crime sur crime homicide, bizness et coins sordides
Alimentent toute la crainte en nous: Paris est sur le grille
Les combines, les mauvais tours
Les Jez foireux sous les tours
Sans porte de secours: bien, mal se côtoient tous les jours
Le compte à rebours est enclenché, cours pour éviter les conséquences
Du désarroi total surgit cette violence
Quelle espérance ? Quelle évolution sociale on France?
J'ai peur pour tous ces gosses qui grandissent dans
L'indifférence générale ... Quartier... cité contre cité...
Le système crée ces tensions pour nous disperser
J'ai pigé, je suis piégé, de gauche à droite mais j'ai tant de projets
En moi de force, de volonté, capables de me faire changer de voie
Mais les flics font de la répression et mes gars
Pètent des plombs, cassent des caisses et brûlent les commissariats
C'est ça la haine, la belle France sous toutes ses peines
L'espoir s'ouvre les veines, ou baigne dans une parano malsaine
Ca saigne de partout, tout semble devenir flou
L'avenir plus qu'un atout, crucifié par des clous
Et si jamais ce système me laisse des séquelles
Sois en sûr, j'en ferai une affaire personnelle.
Refrain
Quelque soit ta race : tous solidaires
Si tu as la rage : tous volontaires
On grandit dans la marge : tous solidaires
Tous volontaires ! ! ! Tous solidaires
J'ai cru pouvoir m'en sortir
A cette chienne de vie m'assortir
Avoir le ventre plein, mais sans me serrer la ceinture
Mec, j'ai la maladie, trop longtemps ler-di
Tass, biz, flics, tous m'ont appris à mentir
J'vois ceux du haut bailler, donc moi j'désobéi
J'veux en voir d'autres payer, voir un autre pays
J'suis venu repeindre les murs
En fond de toile un ciel gris
Serre l'enfant qui pleure, l'ange qui perd ses ailes crie
J'ai la souffrance dans mes gènes
Dans une France pro-vieux anti-jeune on vise l'échelle
Donc on pousse, on manque d'oxygène
J'vois des toxs si jeunes, j'viens des blocs où y a des gosses qui gênent
Tu le sais, j'ai les rancunes d'un yencli mal viser
La vie m'serre, j'ai contrôle judiciaire à 10h00
Tu veux savoir à quoi la rue m'sert?
Si j'flaire, ils m'pètent chez moi demain à 6h00
Je cherche la brèche pour me frayer
J'espère briller
Prends le maquis quand la P.J m'empêche de grailler
Mes frères grillés, dans la fosse refusent de plier
J'me mets à genou seulement pour prier
Refrain
Vous allez tous morfler, la récré s'est maintenant terminés
Le Titanic coule et personne pourra y échapper
La foule crie "panic" dans Paris, la violence rôde
Les mômes brûlent les halls, la zone réclame le contrôle
Quel rôle dois-je tenir
Celui de spectateur ou protagoniste?
" Je déploie mon art, pour que les porcs agonisent "
Si tu m'analyses
Au fond de mes yeux tu peux voir un sniper qui vise camouflé
Comme toutes nos frustrations étouffées.
Le vrai visage du monde, rien ne pourra l'effacer
Mon coeur saigne, une parcelle de mon âme est fâchée
J'meurs consumé comme un bâton d'encens
Les yeux fermés, j'vois les matons en sang
J'fais avec c'que la misère m'accorde
Le maximum pour tenir, les pieds sur terre l'agis pour obtenir
Chaque mot pour le sens et l'énergie qu'il délivre
Mes frères s'entraînent à mourir pour apprendre à vivre
Assunto Pessoal
À la Hitchcock, eu carrego um suspense ao meu redor
Benz, Porsche formam um ideal comum de onde eu venho
Bolsos vazios, porches insalubres, escadas, grades
Spleens e rotina queimam meninos e meninas no abismo
Crime sobre crime, homicídio, negócios e cantos escuros
Alimentam todo o medo em nós: Paris está na berlinda
As trapaças, os golpes baixos
Os Jez furados sob as torres
Sem porta de socorro: bem e mal se cruzam todo dia
A contagem regressiva começou, corre pra evitar as consequências
Do desespero total surge essa violência
Que esperança? Que evolução social na França?
Eu tenho medo por todas essas crianças que crescem na
Indiferença geral... Bairro... cidade contra cidade...
O sistema cria essas tensões pra nos dispersar
Eu entendi, estou preso, de um lado pro outro, mas tenho tantos planos
Dentro de mim, força, vontade, capazes de me fazer mudar de caminho
Mas os policiais fazem repressão e meus caras
Perdem a cabeça, quebram carros e queimam as delegacias
É isso que é o ódio, a bela França sob todas as suas dores
A esperança se abre nas veias, ou mergulha numa paranoia insana
Sangra de todo lado, tudo parece ficar embaçado
O futuro mais que um trunfo, crucificado por pregos
E se esse sistema me deixar marcas
Saiba que eu farei disso um assunto pessoal.
Refrão
Seja qual for sua raça: todos solidários
Se você tem raiva: todos voluntários
Crescemos na margem: todos solidários
Todos voluntários!!! Todos solidários
Eu achei que poderia escapar
Dessa vida filha da puta me dar um jeito
Ter a barriga cheia, mas sem apertar o cinto
Mano, eu tenho a doença, tempo demais na merda
Tass, biz, polícia, todos me ensinaram a mentir
Vejo os de cima bocejando, então eu desobedeço
Quero ver outros pagando, ver outro país
Vim pra repintar as paredes
No fundo um céu cinza
Aperta a criança que chora, o anjo que perde suas asas grita
Eu tenho a dor nos meus genes
Numa França pró-velhos, anti-jovem, miramos a escada
Então empurramos, falta oxigênio
Vejo toxs tão jovens, venho dos blocos onde há crianças que incomodam
Você sabe, eu tenho as mágoas de um yencli mal direcionado
A vida me aperta, tenho controle judicial às 10h00
Quer saber pra que a rua me serve?
Se eu vacilar, eles arrombam minha casa amanhã às 6h00
Procuro a brecha pra me abrir
Espero brilhar
Toma o mato quando a P.J me impede de comer
Meus irmãos queimados, na fossa se recusam a se dobrar
Me coloco de joelhos só pra rezar
Refrão
Vocês vão todos se ferrar, o recreio agora acabou
O Titanic afunda e ninguém vai escapar
A multidão grita "pânico" em Paris, a violência ronda
As crianças queimam os halls, a zona pede controle
Qual papel eu devo desempenhar
O de espectador ou protagonista?
"Eu despliego minha arte, pra que os porcos agonizem"
Se você me analisa
No fundo dos meus olhos você pode ver um sniper camuflado
Como todas as nossas frustrações sufocadas.
A verdadeira face do mundo, nada poderá apagá-la
Meu coração sangra, uma parte da minha alma está brava
Eu morro consumido como um bastão de incenso
Com os olhos fechados, vejo os carcereiros em sangue
Faço com o que a miséria me dá
O máximo pra aguentar, os pés no chão, eu ajo pra conseguir
Cada palavra pelo sentido e a energia que ela entrega
Meus irmãos treinam pra morrer pra aprender a viver.