Nasci em meio ao vendaval
Aprendi que o mundo é desigual
Entre o sonho e o chão rachado
Fiz do medo o meu aliado
Chorei por ver a vida dura
Mas é da dor que vem a cura
Se o tempo arranca o que sou
É só pra mostrar o que restou
Cada queda é uma lição
Cada corte, uma direção
Não há céu sem tempestade
Nem amor sem saudade
Eu cresci com as mãos feridas
Mas com o peito em chamas, ainda
A vida me ensinou sem dó
Mas me deixou cicatrizes de Sol
Vi amigos virarem fumaça
Vi promessas caírem na praça
Mas sigo em frente, mesmo torto
Carrego em mim o meu próprio porto
Aprendi que perder é preciso
Pra entender o que é ser vivo
E mesmo o fim que dói demais
Abre portas que a gente não vê jamais
Cada dor é um novo mapa
Cada passo, uma escada
E se a vida me empurra ao chão
Levanto com mais coração
Eu cresci com as mãos feridas
Mas com o peito em chamas, ainda
A vida me ensinou sem dó
Mas me deixou cicatrizes de Sol
Não quero piedade, nem redenção
Só quero andar na contramão
Da pressa, do medo, da solidão
E ser quem sou, sem permissão
Eu cresci com as mãos feridas
Mas o fogo não me consome, ainda
A vida queimou, moldou, mudou
E nas cinzas, renasci, sou
Cicatrizes de Sol
Luz que vem do que já foi dor