Olho o céu e não vejo cor
A cidade dorme em dor
Rostos frios, corações de aço
Perdidos no mesmo compasso
O tempo corre sem direção
E a fé virou repetição
Palavras gastas, promessas vazias
O amanhã se apaga em nossas vidas
Quem somos nós, sem o que sentir?
Pra onde vamos, sem existir?
Somos sombras do amanhã
Reféns daquilo que nos resta
Buscando luz onde não há
Vivendo o fim como uma festa
As máquinas falam por nós
E o medo cala nossa voz
Vendemos alma por conexão
Chamamos de vida, a solidão
E se o futuro for só um véu
Que cobre os olhos do que era céu?
Somos sombras do amanhã
Reféns daquilo que nos resta
Buscando luz onde não há
Vivendo o fim como uma festa
O que é real, se tudo é fugaz?
O que é paz, se o medo é capaz?
Nos perdemos na própria razão
Abraçando o vazio, com devoção
Somos sombras do amanhã
Sem destino, sem fé, sem chão
Mas ainda há um fogo que clama
Por algo mais que a escuridão
E quando o Sol voltar
Será que ainda vamos lembrar
Quem fomos
Antes do amanhã?