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Berço Sagrado

Sentinela do Cerro

Faz alguns anos que deixei minha querência
Deixei o pai, deixei a mãe, deixei o irmão
Tenho certeza que sentiram minha ausência
Parti chorando com a dor no coração

Mas tinha um sonho e eu sonhava
Em realizar
Pra retornar como um consagrado artista

Se tu não sabe o lugar onde eu fui criado
Berço sagrado em Santana da Boa Vista
Berço sagrado em Santana da Boa Vista

Naquele pago eu vivi toda minha infância
Fui peão de estância, fui ginete e alambrador
Quando menino, na companhia do pai
Pelas estâncias me tornei esquilador

Mas quando eu conto, muita gente me duvida
Que o meu pago é meu motivo de alegria
Aos 15 anos, abandonei a lavoura
Passei mão numa tesoura e tosquiei 60 no dia

Mas quando eu lembro que voltei lá no meu pago
E que a minha alma transbordou de emoção
Lá na estância, eu levantei de madrugada
Aqueci água e preparei meu chimarrão

E uma costela de ovelha bem assada, aperitivo
Para o café da manhã
Só lá seis horas que começava o duelo
Tec-tec dos martelos e nós derrubando lã

Composição: Sentinela do Cerro