Quando a luz do dia nasce
Riscando o céu no sertão
Lá no galho da aroeira
Tem festa de coração
Um passarinho cantando
Sem conhecer prisão
Parece até que Deus mesmo
Fez morada na canção
Ele canta pra alvorada
Pra mata e pro ribeirão
Não precisa de riqueza
Nem luxo nesse mundão
Seu tesouro é o vento livre
Voando sem direção
Enquanto o homem se perde
Na ganância e ambição
Ô passarinho cantador
Leva meu sonho no ar
Ensina esse peito velho
O jeito certo de amar
Quem nasce livre na vida
Não nasceu pra se prender
Viola chora baixinho
Quando escuta você
Já vi muita gente rica
Com tristeza no olhar
Mas nunca vi passarinho
Parar de cantarolar
Mesmo enfrentando a seca
Ou tempestade no ar
Ele confia no tempo
E torna a recomeçar
Ô passarinho cantador
Dono da imensidão
Teu canto corta a distância
E clareia o coração
Quem escuta sua moda
Sente a alma florescer
Até a saudade aprende
Devagarinho a viver
Quando eu partir dessa terra
Sem nada pra carregar
Quero que a viola toque
E um passarinho vá cantar
Pra Deus saber que aqui embaixo
Eu aprendi com você
Que a liberdade da alma
É simples, igual viver