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Convite Indecente

Siddharta

Nespodobno Povabilo

Strah v slovo duši libero zaspi
in v temi nad rjuho udari v glavo.

Spet v nedogled ena sama misel tli,
vžge jo Njena biti, me nagovori.
Brez vsake dlake na jeziku sam,
ji solze na obrazu brišem in izdam
demo ji plan:

Lep kozarec in notri vino,
roka mi za vrat drsi,
naj se dere, naj nori,
ve zakaj prišla je, zakaj prišla je.
A ne vidim, kar se zdi, kot v megli.

V dan izgine tema, naju ne izda,
objeta sredi sobe vidiva le dva.
Dva, ki svojo senco mečeta v svet,
ki za oba nastaja, ko se dela spet
plan za novi dan:

Lep kozarec in notri vino,
roka mi za vrat drsi,
vse to vidi le spomin,
le spominu daje, spominu daje.

In derem se naglas, plezam na drevo,
momentu padem dol, naj ponovim;
še enkrat derem se naglas, plezam na drevo,
na vrhu že sedim, ko naju vidim in v rokah:

Lep kozarec in notri vino,
roka že za vrat drži,
tisto kar rosi oči,
slika najina je, le najina je.

Vse zaman, vse zaman, vse zaman...
Vse zaman, vse zaman...

Ker ne vidim kar se zdi, le mislim si.

Convite Indecente

Medo em palavras, a alma se libera e dorme
na escuridão, bate na cabeça.

De novo, sem fim, um único pensamento que queima,
ela me incendeia, me convence.
Sem rodeios, eu mesmo,
secar lágrimas do rosto e confesso
meu plano pra ela:

Um belo copo e dentro vinho,
minha mão desliza pelo pescoço,
que grite, que surte,
sabe por que veio, sabe por que veio.
Mas não vejo o que parece, como em neblina.

No dia, a escuridão desaparece, não nos entrega,
abraçados no meio do quarto, só vemos dois.
Dois que projetam suas sombras no mundo,
que se forma pra nós, quando se faz de novo
um plano para um novo dia:

Um belo copo e dentro vinho,
minha mão desliza pelo pescoço,
tudo isso só o passado vê,
dá ao passado, dá ao passado.

E eu grito alto, subo na árvore,
no momento caio, deixa eu repetir;
mais uma vez grito alto, subo na árvore,
no topo já estou sentado, quando nos vejo e nas mãos:

Um belo copo e dentro vinho,
minha mão já segura o pescoço,
isso que faz os olhos chorarem,
a nossa imagem é, só nossa é.

Tudo em vão, tudo em vão, tudo em vão...
Tudo em vão, tudo em vão...

Porque não vejo o que parece, só penso.

Composição: