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O Iceberg

Silvina Garre

El Témpano

A veces cuando pienso que todo esta perdido
voy hacia algunas formas de la muerte
me pego un tiro con una palabra
que alguna vez me fue tan transparente.
En la ternura del agua que corre
me recuerdan la llegada de unos trenes
sales de los mares curvas de los puertos
con mujeres descalzas en el verde
Voy hacia el fuego como la mariposa
y no hay rima que rime con vivir
no te pares no te mates
solo es una forma mas de demorarte.

En las tardes tranquilas
cuando extraño todo
pienso que todo no es lo que perdi
una rosa de feria
y aun a costa de perder
se pierde pero se gana
la lucha es de igual a igual
contra uno mismo
y eso es ganarla
no te pares, no te mates
solo es una forma de mas de demorarse.

Recuerdo la quietud de la tierra
la quietud de estar adentro
se cree mas en los milagros
a la hora del entierro
Este hombre trabajo
quien escribira su historia
la cal reseca la viuda que sueña
los amigos que siguen igual
La gloria en zapatillas
el florero vacio
quien sabe si se puso a pensar
para que vivo
vivo para no perder.

O Iceberg

Às vezes, quando penso que tudo está perdido
vou em direção a algumas formas de morte
me dou um tiro com uma palavra
que um dia foi tão clara pra mim.
Na ternura da água que corre
me lembram da chegada de alguns trens
saindo dos mares, curvas dos portos
com mulheres descalças no verde.
Vou em direção ao fogo como a mariposa
e não há rima que rime com viver
não pare, não se mate
é só mais uma forma de se atrasar.

Nas tardes tranquilas
quando sinto falta de tudo
penso que tudo não é o que perdi
a rosa da feira
e mesmo a custo de perder
se perde, mas se ganha
a luta é de igual pra igual
contra si mesmo
e isso é vencer
não pare, não se mate
é só mais uma forma de se atrasar.

Lembro da quietude da terra
a quietude de estar por dentro
se acredita mais em milagres
na hora do enterro.
Esse homem trabalhou
quem vai escrever sua história?
a cal seca, a viúva que sonha
os amigos que continuam iguais.
A glória de tênis
o vaso vazio
quem sabe se parou pra pensar
pra que eu vivo?
vivo pra não perder.

Composição: Adrián Abonizzio