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Feridas

Silvina Garre

Heridas

Quizás sufrir no provoque la muerte
ni provoque más fiebre, ni más asco
ni provoque la ausencia de la luna
ni el ocaso fatal.

Quizás sufrir no sea más que estar vivo,
abierto a los detalles más humanos
y sea la contracara del deleite,
la antesala fatal.

Paseo mis heridas,
les doy aire,
las expongo a la luz
de un sentimiento.

Respeto mis heridas,
las confieso,
les prometo un amor
y una esperanza.

Quizás sufrir no se parezca a nada
ni sea necesario hacerle frente
ni provoque una pena irreversible
que no sepa curar.

Quizás sufrir no sea más que estar sana,
jugando a la pasión y a las miserias
y sea una invitación a la tarea
de empezar a vivir.

Libero mis heridas,
las escucho,
les permito llorar
para expresarme.

Respeto mis heridas,
las confieso,
les permito sangrar
sin desangrarme.

Quizás sufrir no provoque la muerte
ni provoque más fiebre, ni más asco
ni provoque la ausencia de la luna
ni el ocaso fatal.

Libero mis heridas,
las escucho,
les permito llorar
para expresarme.

Respeto mis heridas,
las confieso,
les permito sangrar
sin desangrarme.

Feridas

Quem sabe sofrer não provoque a morte
nem provoque mais febre, nem mais nojo
nem provoque a ausência da lua
nem o ocaso fatal.

Quem sabe sofrer não seja mais que estar vivo,
aberto aos detalhes mais humanos
e seja a contracara do deleite,
a antesala fatal.

Passeio minhas feridas,
lhes dou ar,
exponho à luz
de um sentimento.

Respeito minhas feridas,
lhes confesso,
lhes prometo um amor
e uma esperança.

Quem sabe sofrer não se pareça a nada
nem seja necessário encarar
nem provoque uma dor irreversível
que não saiba curar.

Quem sabe sofrer não seja mais que estar sã,
jogando com a paixão e as misérias
e seja um convite à tarefa
de começar a viver.

Libero minhas feridas,
ouvindo-as,
lhes permito chorar
para me expressar.

Respeito minhas feridas,
lhes confesso,
lhes permito sangrar
sem me esvaziar.

Quem sabe sofrer não provoque a morte
nem provoque mais febre, nem mais nojo
nem provoque a ausência da lua
nem o ocaso fatal.

Libero minhas feridas,
ouvindo-as,
lhes permito chorar
para me expressar.

Respeito minhas feridas,
lhes confesso,
lhes permito sangrar
sem me esvaziar.