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Dupla Traição

Silvina Garre

Doble Traicion

Él tiene un aparato de doble tracción,
de doble traición a sangre.
Levanta mi pollera con el dedo mayor,
con un tímido ardor, que arde.

Y no sabe lo que me pasa
y no sabe a dónde va a parar
y no sabe lo que le pasa,
nunca sabe.

Él tiene más problemas que este raro país
que este enfermo país de sangre.
No hay puta coincidencia entre las cosas que siente
y las cosas que dice o hace.

Y no sabe lo que me pasa
y no sabe a dónde va a parar
y no sabe lo que le pasa,
nunca sabe.

No saber nada
es una fea costumbre.
No saber nada
es una bomba de tiempo,
de tiempo poco feliz.

Él tiene un aparato de doble tracción,
de doble traición a sangre.
Resbala con la lluvia, no soporta el calor,
no soporta el amor que late.

Y no sabe lo que me pasa
y no sabe a dónde va a parar
y no sabe lo que le pasa,
nunca sabe.

Él tiene ojos de gato y un gestito infantil,
varias pecas en la espalda,
dos canas en el pecho y un cuadro fatal
de resistencia compacta.

Y no sabe lo que le pasa
y no sabe a dónde va a parar
y no sabe lo que me pasa,
nunca sabe.

No saber nada
es una horrible costumbre.
No saber nada,
es una bomba de tiempo,
de tiempo poco feliz
poco feliz, poco feliz, poco feliz...

Dupla Traição

Ele tem um carro de tração nas quatro rodas,
de dupla traição à sangue.
Levanta minha saia com o dedo do meio,
com um ardor tímido, que queima.

E não sabe o que me acontece
e não sabe aonde vai parar
e não sabe o que lhe acontece,
nunca sabe.

Ele tem mais problemas que esse país esquisito
que esse país doente de sangue.
Não há nenhuma coincidência entre as coisas que sente
e as coisas que diz ou faz.

E não sabe o que me acontece
e não sabe aonde vai parar
e não sabe o que lhe acontece,
nunca sabe.

Não saber de nada
e uma péssima mania.
Não saber de nada
e uma bomba relógio,
de tempo pouco feliz.

Ele tem um carro de tração nas quatro rodas,
de dupla traição à sangue.
Escorrega com a chuva, não aguenta o calor,
não aguenta o amor que pulsa.

E não sabe o que me acontece
e não sabe aonde vai parar
e não sabe o que lhe acontece,
nunca sabe.

Ele tem olhos de gato e um jeitinho infantil,
várias sardas nas costas,
duas grisalhas no peito e um quadro fatal
de resistência compacta.

E não sabe o que lhe acontece
e não sabe aonde vai parar
e não sabe o que me acontece,
nunca sabe.

Não saber de nada
e uma péssima mania.
Não saber de nada,
e uma bomba relógio,
de tempo pouco feliz,
pouco feliz, pouco feliz, pouco feliz...

Composição: