Verano Del '81
Me regalaste el mar aquel verano,
un viaje de sorpresa,
algunos caracoles,
una canción,
un escenario para compartir.
Te regalé la risa ese verano,
una nueva esperanza,
algunos cuentos,
otra canción,
un cuerpo fresco para descubrir.
Y toda la ternura
se me presentó un día
una melena de sol
y unos ojos de trigo maduro.
Una playa desierta
testigo silencioso,
una danza improvisada
y unos ojos de cielo.
Corrieron la música,
el tren, los besos,
la casa que aguardaba incompleta
y los primeros éxitos.
Nacieron las preguntas,
las dudas y los sueños,
un público excesivamente fervoroso,
los lógicos mareos.
Me regalaste entonces
esa gente fracasada,
un silencio tajante,
toda la luna,
todo el sol de Buenos Aires.
Te entregué mis recuerdos uno a uno,
mis crisis de mujer,
mi miedo al desamparo,
toda la atención
y la paciencia para ayudarte
a crecer.
Llegaron de a poquito
los "te quiero" mezquinos,
un velo para mis ojos,
claritos, celestes como aquel mar.
Ni una palabra más
esto ya está completo,
tengo una casa y un piano
brillantes, celestes como aquel mar
y azules por las noches cuando uno se despide
y se acuesta a soñar.
Verão de '81
Você me deu o mar naquele verão,
uma viagem surpresa,
alguns caracóis,
uma canção,
um cenário pra compartilhar.
Eu te dei risadas naquele verão,
uma nova esperança,
algumas histórias,
outro som,
um corpo fresco pra descobrir.
E toda a ternura
se apresentou um dia
com uma cabeleira de sol
e uns olhos de trigo maduro.
Uma praia deserta
silenciosa testemunha,
uma dança improvisada
e uns olhos de céu.
A música rolou,
o trem, os beijos,
a casa que esperava incompleta
e os primeiros sucessos.
Nasceram as perguntas,
as dúvidas e os sonhos,
um público excessivamente fervoroso,
os lógicos enjoos.
Você me deu então
aquela gente fracassada,
um silêncio cortante,
toda a lua,
todo o sol de Buenos Aires.
Eu te entreguei minhas memórias uma a uma,
minhas crises de mulher,
meu medo do abandono,
toda a atenção
e a paciência pra te ajudar
a crescer.
Chegaram aos poucos
os "te amo" mesquinhos,
um véu pros meus olhos,
claros, celestes como aquele mar.
Nem uma palavra a mais
isso já tá completo,
tenho uma casa e um piano
brilhantes, celestes como aquele mar
e azuis nas noites quando a gente se despede
e vai dormir pra sonhar.
Composição: Silvina Garre