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Poema Dos Olhos da Amada

Silvio Caldas

Ó, minha amada, que olhos os teus
Ó, minha amada, que olhos os teus
São cais noturnos, cheios de adeus
São docas mansas, trilhando luzes
Que brilham longe, longe nos breus

Ó, minha amada, que olhos os teus
Ó, minha amada, que olhos os teus
Quanto mistério nos olhos teus
Quantos saveiros, quantos navios
Quantos naufrágios nos olhos teus

Ó, minha amada, de olhos ateus
Ó, minha amada, de olhos ateus
Quisera um dia, quisesse Deus
Que eu visse um dia o olhar mendigo
Da poesia nos olhos teus

Composição: Vinícius de Moraes, Paulo Soledade