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Convulsões

Sõpruse Puiestee

Krambid

Mu sõbral on jälle krambid
See on viimane öö
Mu sõbral on jälle krambid
Süda vaikselt veel lööb
Mina istun ja suitsetan toolil
Millest küll mõelda ei tea
Ära hoia mu käsi kui suren
Ära silita pead
Tahaksin surra valguse käes
Üksinda taeva laotuse all
Mitte valgete linade vahel
Valgete surnud lagede all
Käsi tilguti all
Surmas me oleme alti üksi
Ruumi ei ole siin kahel
Mõelda võib kõike kuid ainus jääb palve
Ära siis sure veel sõber
Vaksali peldikus surnuks end süstides
Elu võib olla ka seegi
Oli see ainus mõte mu sõber
Su surmast sai sõnumi keegi

Convulsões

Meu amigo tá tendo convulsões de novo
Essa é a última noite
Meu amigo tá tendo convulsões de novo
O coração ainda bate devagar
Eu tô sentado fumando na cadeira
Sem saber no que pensar
Não segura minha mão quando eu morrer
Não faz carinho na minha cabeça
Queria morrer sob a luz
Sozinho sob o céu aberto
Não entre lençóis brancos
Debruçado sob tetos brancos de mortos
Mão debaixo do soro
Na morte sempre estamos sozinhos
Não tem espaço pra nós dois aqui
Pode-se pensar em tudo, mas só uma coisa fica: a oração
Então não morre ainda, amigo
Se matando no banheiro da rodoviária
A vida pode ser isso também
Era esse o único pensamento, meu amigo
Alguém recebeu a notícia da sua morte