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Jogo da Galinha

sorosoro

Acordei nessa manhã achando ser um dia qualquer
Comicamente desinformado e terrivelmente errado
Eu subi no trigésimo primeiro ônibus
E fui imediatamente agarrado por um forte odor
De formol e de naftalina

Todos os esqueletos da cidade
Se enlataram como sardinhas
Vestindo a flâmula nacional
Deve ser o dia da bandeira
E eu pensei: Que besteira
Como pode um bando de desocupados
Passar o dia inteiro sem fazer nada?
É ridículo, ok

Então eu desço no terminal perigosamente localizado
Ao lado de pangarés vestidos de cavalo
Deve ser o destino, ok ok
Deve ser dia do equino

E se nada disso faz sentido pra você
Essa é a última chance pra ir embora
Mas você não vai receber seu dinheiro de volta

E apesar da ira incontestável, tributável e auditável
Tudo o que pude fazer foi rolar os olhos e voltar pra casa
Triste, falido, miserável
Deve ser o dia do otário
Pois foi assim que eu me senti

E sem uma arma pra atirar
Ou um inimigo pra socar, o que me resta
É transformar as frustrações
Em medíocres canções como esta
Que atormenta o seu ouvido

Vem cá, vem cá, eu vou te dizer, te dizer
Vem cá, vem cá, eu vou te dizer, te dizer

Sem devoluções na avenida das nações
Eu pesco e pago o próprio peixe duvidoso
Cheio de mercúrio e outros metais pesados
Deve ser o retrógrado dia do idoso

Sem devoluções na avenida das nações
Eu pesco e pago o próprio peixe duvidoso
Cheio de mercúrio e outros metais pesados
Deve ser o retrógrado dia