Sou presença viva no que respiro
E o que respiro me faz viver
No corpo sobe um canto antigo
Na alma um mapa pra me entender
E quando penso que caminho só
Sinto um toque que não tem fim
Meus guias andam no meu entorno
E o entorno faz morada em mim
Eles sussurram no vento calmo
E cada sopro é direção
É como ouvir o meu próprio outro
Um outro eu, sem divisão
No espaço entre o passo e o chão
Eles escrevem meus horizontes
São luzes que brotam da escuridão
São rios que nascem antes das fontes
Quando o mundo pesa no peito
Eles elevam o ar que há em mim
É como segurar o que é perfeito
Sem nunca apertar o fim
Guiam meu rito, guiam meu rito
E eu repito pra não esquecer
Eles me mostram o que já é dito
Nas linhas que eu não quis ler
Sou a luz que vibra em expansão
Mas é a sombra deles que ilumina o chão
Sou a voz que canta em liberdade
Mas eles afinam a minha verdade
Sou a luz que vibra em expansão
E cada passo ecoa outra canção
A que eles tocam dentro de mim
Pra eu desfolhar o começo e o fim
A floresta fala no meu ouvido
E eles traduzem em coração
No canto oculto do não vivido
Eles me ensinam a direção
Sou raiz que sobe pro céu
Sou estrela que aprende a cair
E meus guias, feito véu e anel
Tornam o invisível fácil de ouvir
Quando a dúvida abre caminho
Eles me levam pra outro lugar
Onde o silêncio fica sozinho
E até o medo quer descansar
São faróis no cais do pensamento
São bússolas no que ainda não sei
Eles dobram o tempo no vento
E estendem a verdade que toquei
Sou a luz que vibra em expansão
Mas é com eles que eu aprendo a direção
Sou canção que dança na eternidade
Mas eles regem o tom da minha liberdade
Sou a luz que vibra em expansão
E eles acendem tudo em minha mão
Sou fruto vivo da criação
Mas são meus guias que regam meu chão