O carro era velho e andava adoidado
Entrava nas curva, cantava os pneu
Nem era meu o carro vermelho
Catava escondido pra dar um role
Minha mãe gritava: Moleque abusado!
Da próxima vez eu te dou uns cascudo!
E eu nem aí, fugia de noite
Pra por as menina no banco de trás
Do Fiat 147, um Corcel Dois, um Chevette Hatch
Me enchiam de beijos, juravam amor
Queriam ir aonde for
E eu ia guiando feliz e contente
Mas agora tô triste andando a pé
Se fosse um Corvette, ou um Puma GT
Um Mitsubishi, uma caminhonete
Sem troca de óleo, sem mão na capota
Nenhuma calcinha no porta-luva
Nenhum som estéreo pra espantar a solidão