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Carma Capital

Thiago Moskito

Mais um dia, mais um corpo, mais um grito na viela
Sempre o Sol nasce, mas nem sempre na favela

Acordo suando frio, pesadelo, sinto vazio
Mas um dia no Brasil, maldita vida de civil
Minha mãe tá qui, mas meu pai, cadê? Sumiu
Meus irmão tudo no corre, e eu com a cabeça a mil

O Sol queima a mente teima sem pensar
Polícia passa devagar, na quebrada a observar
Olho no espelho, vejo mais do que dor
Vejo um sistema cruel que cultiva o rancor

Enquanto playboy brinca de revolução
Nós apanha pra caralho, e sem culpa sem razão
Mochila nas costas, medo na alma
Todo passo é calculado, ou perde a calma

Cê sabe como é?
Ter medo de morrer, medo de viver
No corre sem parar, sem saber porquê
Capitalismo mata, maltrata, destrói
Sequestra o seu corpo, psiquê e cala a voz

Cê sabe como é?
Ter fome e fingir que não dói
Sobreviver a isso já é viver como herói
Na selva de concreto, onde tudo é rival
Capital é doença faz a vida ser letal

Salário é migalha, boleto é rajada
Emprego é prisão, o desemprego é a vala
Ansiedade engole meu peito, sufoca
E o psicólogo é caro demais, então foca

Foca no trampo, foca na meta
Ninguém te ajuda a andar em linha reta
Doença mental não tem crachá
Mas te impede de levantar e lutar

E o pastor diz: É só ter fé
Mas a fé não enche prato, irmão, não vê que isso é cruel
Enquanto isso os merda tirando férias em bordel
E nós catando moeda pra pagar os aluguel

Cê sabe como é?
Ter medo de morrer, medo de viver
No corre sem parar, sem saber porquê
Capitalismo mata, maltrata, destrói
Sequestra o seu corpo, psiquê e cala a voz

Cê sabe como é?
Ter fome e fingir que não dói
Sobreviver a isso já é viver como herói
Na selva de concreto, onde tudo é rival
Capital é doença, faz a vida ser letal

Eles dizem que é meritocracia
Mas nasci sem herança, sem grana, sem garantia
Cadeia é lotada, escola tá vazia
E o cemitério chama e sorri todo dia

Ninguém nos vê, só nos usa (em usa)
Nossa vida vale menos que a blusa
Que eles compram com cartão Black
E nós rala em três trampo e é tirado de moleque

Mas mesmo assim eu respiro, insisto
Caminho no fio da navalha, mas não desisto
Porque a quebrada me deu voz, me deu razão
Sou fruto da dor, mas também sou explosão

Não quero fama, nem glória de mentira
Quero justiça, quero paz que não atira
Se o mundo não muda, então nós faz mudá
Com verso, coragem e lutando sem pará

Cê sabe como é?
Ter medo de morrer, medo de viver
No corre sem parar, sem saber porquê
Capitalismo mata, maltrata, destrói
Sequestra o seu corpo, psiquê e cala a voz

Cê sabe como é?
Ter fome e fingir que não dói
Sobreviver a isso já é viver como herói
Na selva de concreto, onde tudo é rival
Capital é doença faz a vida ser letal

Composição: thiago moskito