Mais um dia, mais um corpo, mais um grito na viela
Sempre o Sol nasce, mas nem sempre na favela
Acordo suando frio, pesadelo, sinto vazio
Mas um dia no Brasil, maldita vida de civil
Minha mãe tá qui, mas meu pai, cadê? Sumiu
Meus irmão tudo no corre, e eu com a cabeça a mil
O Sol queima a mente teima sem pensar
Polícia passa devagar, na quebrada a observar
Olho no espelho, vejo mais do que dor
Vejo um sistema cruel que cultiva o rancor
Enquanto playboy brinca de revolução
Nós apanha pra caralho, e sem culpa sem razão
Mochila nas costas, medo na alma
Todo passo é calculado, ou perde a calma
Cê sabe como é?
Ter medo de morrer, medo de viver
No corre sem parar, sem saber porquê
Capitalismo mata, maltrata, destrói
Sequestra o seu corpo, psiquê e cala a voz
Cê sabe como é?
Ter fome e fingir que não dói
Sobreviver a isso já é viver como herói
Na selva de concreto, onde tudo é rival
Capital é doença faz a vida ser letal
Salário é migalha, boleto é rajada
Emprego é prisão, o desemprego é a vala
Ansiedade engole meu peito, sufoca
E o psicólogo é caro demais, então foca
Foca no trampo, foca na meta
Ninguém te ajuda a andar em linha reta
Doença mental não tem crachá
Mas te impede de levantar e lutar
E o pastor diz: É só ter fé
Mas a fé não enche prato, irmão, não vê que isso é cruel
Enquanto isso os merda tirando férias em bordel
E nós catando moeda pra pagar os aluguel
Cê sabe como é?
Ter medo de morrer, medo de viver
No corre sem parar, sem saber porquê
Capitalismo mata, maltrata, destrói
Sequestra o seu corpo, psiquê e cala a voz
Cê sabe como é?
Ter fome e fingir que não dói
Sobreviver a isso já é viver como herói
Na selva de concreto, onde tudo é rival
Capital é doença, faz a vida ser letal
Eles dizem que é meritocracia
Mas nasci sem herança, sem grana, sem garantia
Cadeia é lotada, escola tá vazia
E o cemitério chama e sorri todo dia
Ninguém nos vê, só nos usa (em usa)
Nossa vida vale menos que a blusa
Que eles compram com cartão Black
E nós rala em três trampo e é tirado de moleque
Mas mesmo assim eu respiro, insisto
Caminho no fio da navalha, mas não desisto
Porque a quebrada me deu voz, me deu razão
Sou fruto da dor, mas também sou explosão
Não quero fama, nem glória de mentira
Quero justiça, quero paz que não atira
Se o mundo não muda, então nós faz mudá
Com verso, coragem e lutando sem pará
Cê sabe como é?
Ter medo de morrer, medo de viver
No corre sem parar, sem saber porquê
Capitalismo mata, maltrata, destrói
Sequestra o seu corpo, psiquê e cala a voz
Cê sabe como é?
Ter fome e fingir que não dói
Sobreviver a isso já é viver como herói
Na selva de concreto, onde tudo é rival
Capital é doença faz a vida ser letal