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Nevoeiro córrego

Tita Merello

Niebla Del Riachuelo

Turbio fondeadero donde van a recalar
Barcos que en el muelle para siempre han de quedar
Sombras que se alargan en la noche del dolor
Náufragos del mundo que han perdido el corazón
Puentes y cordajes donde el viento viene a aullar
Barcos carboneros que jamás han de zarpar
Torvo cementerio de las naves que al morir
Sueñan, sin embargo, que hacia el mar han de partir

¡Niebla del riachuelo!
Amarrado al recuerdo
Yo sigo esperando
¡Niebla del riachuelo!
De ese amor, para siempre
Me vas alejando
Nunca más volvió
Nunca más la vi
Nunca más su voz dira mi nombre junto a mí
Esa misma voz que dijo: ¡Adiós!

Sueña marinero, con tu viejo bergantín
Bebe tus nostalgias en el sordo cafetín
Llueve sobre el puerto, mientras tanto mi canción
Llueve lentamente sobre tu desolación
Anclas que ya nunca, nunca más han de levar
Bordas de lanchones sin amarras que soltar
Triste caravana sin destino ni ilusión
Como un barco preso en la botella del figón

Nevoeiro córrego

Ancoragem obscura onde eles vão pousar
Navios que devem permanecer no cais para sempre
Sombras que se alongam na noite da dor
Naufragados do mundo que perderam seus corações
Pontes e cordas onde o vento vem uivar
Navios de carvão que nunca zarparão
Cemitério sombrio de navios que morrem
Eles sonham, porém, que devem partir para o mar

Fluxo de neblina!
amarrado à memória
ainda estou esperando
Fluxo de neblina!
Desse amor, para sempre
você está me afastando
Ele nunca mais voltou
Eu nunca mais a vi
Nunca mais sua voz dirá meu nome perto de mim
Aquela mesma voz que disse: Adeus!

Marinheiro dos sonhos, com seu velho brigue
Beba sua nostalgia no café surdo
Chove no porto, enquanto isso minha música
Chova lentamente em sua desolação
Âncoras que nunca, nunca mais precisarão ser levantadas
Canhões de barco sem amarras para soltar
Caravana triste sem destino nem ilusão
Como um navio preso na garrafa da cozinha

Composição: Juan Carlos Cobian, Luna Rosendo