Que Ironia
Pelas veias do meu pai
Corre o sangue, assim como em mim
Sangue de índio que cala, que chora
Que ama e que sabe sofrer
Aquele índio que minha mãe amou
Porque sabe que é um homem fiel
Graças a Deus que é meu pai
E que eu herdei ser índio como ele
Entre espinhos de cactos cresceram meus pais
E foi lá que eu nasci
E entre a serra, meu pai sonhava
Em me dar uma vida melhor
Já não vivo em tanta pobreza
Vivo como meu pai sonhou
Não ambiciono também riqueza
O sangue de índio que trago é melhor
Meus irmãos também têm
O sangue de índio como eu tenho
Sangue que pintou a terra
A terra que meu pai tanto labrou
Meu pai deixou a serra
Minha mãe chorando pelo caminho
Deixaram tudo pra me dar
O que mais tarde a vida me deu
Já não vivo em tanta pobreza
Vivo como meu pai sonhou
Não ambiciono também riqueza
O sangue de índio que trago é melhor