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Lapso

Trovante

A maravilha que é amar assim depois do anoitecer!
Amar a cria, queria ser assim bem novo até morrer!
Amar a flora fora a vida fora, fora do que é revescer
E ver que um dia é dia do que se quiser apetecer

Um canto falso, enquanto no encalço do reverter
Enquanto eu valso, sem percalço, calço pra não descer
E, se descalço não me apanham nunca, ainda cá estou pra ver
Só perco o aço se me maço muito a esclarecer

Chega-te pra lá
Não te agarres a mim como lapa
Lá por ser rocha no temporal
Vê se tomas nota que não sou caso perdido nem achado
Lá no teu quintal

Chega-te pra lá
Não te agarres a mim como lapa
Lá por ser rocha no temporal
Vê se tomas nota que não sou caso perdido nem achado

Rima, rima que, quanto mais rima mais se lhe arrima
E quem porfim rima há quem diga que rima por cima, bem melhor
Vai-se e o caso fica ao acaso e fica raso o perdedor
E, quanto mais raso fica, mais esforça o espremedor

Chega-te pra lá
Não te agarres a mim como lapa
Lá por ser rocha no temporal
Vê se tomas nota que não sou caso perdido nem achado
Lá no teu quintal

Chega-te pra lá
Não te agarres a mim como lapa
Lá por ser rocha no temporal
Vê se tomas nota que não sou caso perdido nem achado

Veste a camisola mais garrida e a saia que tiver mais cor
Sai pra rua e não te rales se pareceres um expositor
O que é bom é para se ver, mas só pra quem for apreciador
Mas porque é que o Verão nunca mais chega pr'apanharmos Sol no pensador?

Chega-te pra lá
Não te agarres a mim como lapa
Lá por ser rocha no temporal
Vê se tomas nota que não sou caso perdido nem achado
Lá no teu quintal

Chega-te pra lá
Não te agarres a mim como lapa
Lá por ser rocha no temporal
Vê se tomas nota que não sou caso perdido nem achado

Composição: Luís Represas (Trovante)