Bati a bota na entrada pra tirar a poeira
Olhei pro lado e vi nossa cadeira vazia
A gente planejou o plantio e a vida inteira
Mas o destino mudou a geografia
Você era o porto, eu era o caminhoneiro
Rodando em estradas de pura paixão
Mas o seu jogo era falso e traiçoeiro
E eu acabei com a poeira nas mãos
Lembrei daquela chuva de arroz na saída da igreja
Dos sonhos brancos que o vento espalhou
Hoje eu bebo sozinho o que resta na mesa
Pois o que era castelo, a tempestade levou
Você foi um rio que passou e moveu meus moinhos
Mudou o meu curso, me fez navegar
Mas não volto a beber dessa água, sigo sozinho
Mesmo que a sede venha me castigar
Se você bater na porta querendo o meu perdão
Com os olhos úmidos, buscando o que já foi
Mantenho a postura, seguro a rédea na mão
E docemente eu digo não
Fui brinquedo esquecido no canto da varanda
Enquanto você buscava outra diversão
Mas o homem que aprende o que a vida manda
Não entrega duas vezes o mesmo coração
A saudade morde, o silêncio é um deserto
Mas a minha dignidade é meu único chão
É melhor o vazio do que o amor incerto
É melhor a verdade do que outra ilusão
O rio seguiu o curso, deixou a marca no leito
Mas a água que passou não faz o moinho girar
Eu guardo a cicatriz aqui dentro do peito
Pra nunca esquecer como é bom me amar
Você foi um rio que passou e moveu meus moinhos
Mudou o meu curso, me fez navegar
Mas não volto a beber dessa água, sigo sozinho
Mesmo que a sede venha me castigar
Se você bater na porta querendo o meu perdão
Com os olhos úmidos, buscando o que já foi
Mantenho a postura, seguro a rédea na mão
E docemente eu digo não
É
O rio passou
E a sede? A gente aguenta
Docemente eu digo não