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Flagelo

Vencidos

Antes que consiga remover minha botina
Dura como aço e aderida como cola
Um evento aterrorizante desenrola
E repentinamente defere minha sina

Algo despenca, da parte alta da conífera
Neve que cai, caprichosamente, na fogueira
E vejo a chama, numa suave chiadeira
Cessar, em fumegante ruína carbonífera

Minha vida inteira atravessa a minha mente
No milissegundo em que processo o ocorrido
E a segurança dá lugar a um alarido
Que me escancara como um tolo prepotente

Pávido do fim que se aproxima à galope
Tento organizar rapidamente algum plano
Mas esses meus membros já não têm mais soberano
Sucumbindo aos termos deste frígido envelope

Freneticamente mentalizo minha mão
Entrando em um bolso, à procura de um palito
Fracasso novamente, ainda mais aflito
Amputado totalmente de propriocepção

Sem capacidade de mais movimentos finos
Fito meu entorno à procura de opções
Vêm-me ao pensamento as mais sórdidas ações
Quando me deparo com esses olhos caninos