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Abnegados da Sarjeta Sagrada

Vibrando Na Luz

Ninguém vê quem dorme ao relento
Mas a luz divina conhece cada nome seu

Nas calçadas molhadas
Por vezes tem templos
Que passam batido pelos olhos do mundo apressado

Rasgam a noite olhares que já viram muito rei desabar
Sorrisos cansados e bondosos
Ainda escolhem alguém pra amparar
Pés descalços pisando no orgulho
Mãos vazias repartindo o pão
No abandono floresce o barulho
De uma santa revolução

Sarjeta sagrada
Luz divina escondida
Vestida em poeira
Sujeira, ferida e vida
Abnegados da rua
Guardiões da luz divina
Carregam cidades no próprio coração
Sarjeta sagrada
Ninguém imagina
Que por vezes centelhas divinas
Também moram no meio do lixo
Quando o ego levanta muralha e vaidade
Eles vêm ensinar a humildade

Veem dores que o luxo não cala
E que o orgulho não quer confessar
Onde a alma despenca e se cala
Eles chegam pra reacender a esperança
De que tudo vai melhorar

Cada perda também é caminho
Cada queda pode levantar
Quem não tem quase nada de ninho
Tem o infinito pra morar

Não estão em palácios dourados
Nem em pose de falsa ascensão
O bom Deus também passeia entre os esquecidos
Com coberta, acolhimento e pão
Se você se sentir rejeitado
Sem abrigo, sem rumo e no chão
Saiba que o chão também pode virar altar
Quando floresce o amor no coração

Sarjeta sagrada, eu vim aprender
Que nada se leva além do se é
E quem brilha por dentro
Mesmo sem ter quase nada material
Nem sempre está na estrada errada

Composição: Paula Carolina Rossi Claro