Baixei um som de cachoeira
Pra relaxar a minha mente
Bem na hora
O vizinho botou um funk pancadão
Que não era Bonde do Caju não
Era daqueles que quase chama o coisa ruim
Pra subir pra Terra
De tão proibidão
Odiei ele espiritualmente
Respira, conta até dez
O universo é perfeito
Desculpa, universo
Eu ainda tô em treinamento
Tô iluminado
Mas só quando não me irritam
Minha aura brilha
Até o boleto chegar
Tô bem, tô zen
Quase sempre
Tô bem, dependendo das contas do mês
E tô iluminado até alguém ouvir
Esgoto sonoro no último volume
Perto de mim
O que era pra alinhar os chakras
Foi invadido pelo grave da vizinhança
Minha iluminação tremeu na base do pancadão
Ô, Jesus, me ajuda
Se evoluir é não surtar
Eu acho que tô quase lá
Só preciso de silêncio
E ver o vizinho se mudar
Ô, Senhor, me ajuda
Tô buscando paz interior
Mas aceito paz exterior também
Principalmente se ela vier
Com isolamento acústico, amém
Tô bem, tô zen
Quase sempre
Tô bem, dependendo das contas do mês
E tô iluminado até alguém ouvir
Esgoto sonoro
No último volume
Perto de mim
Daí eu tentei mandar luz divina pra ele
Voltou em forma de batidão
Descobri naquele instante
Que amor divino tem suas limitações
Ser evoluído é fácil
Difícil é ser evoluído com um vizinho desse
Namastê, irmão
Mas abaixa esse som aê
Tô bem, tô zen
Quase sempre
Tô bem, dependendo das contas do mês
E tô iluminado até alguém ouvir
Esgoto sonoro no último volume
Perto de mim
Fui