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Sou o Que Vende Mais Barato

Victor Manuel

Soy El Que Vende Más Barato

Folletos vendo para matar suegras,
para arreglar persianas atascadas,
para solucionar los matrimonios
que caminan por senda equivocada.

También vendo el folleto inacabable
para explicar políticas y fraudes,
para ver sin oír discursos oficiales,
o de cómo engañar al que no sabe.

También puedo vender una emergencia,
una pústula, un grano, unas enmiendas,
un reloj de pulsera o la tristeza
de una puerta cansada de ser puerta.

Si me apuran les vendo una parcela
con ascensor y vistas al infierno;
y por módica y raquítica peseta
les anticipo el próximo gobierno.

Les puedo vender aire y una oreja
que cortó Manolete en la posguerra;
una clase de judo, una jaqueca
o su muerte anunciada en una esquela.

También cambio novelas por impresos,
faltas de ortografía por "te quieros",
cien cañones por banda y sonajero
por una asociación, como en mi pueblo
que están bien separados los vivos de los muertos.

Sou o Que Vende Mais Barato

Vendo folhetos pra matar sogras,
Pra consertar persianas emperradas,
Pra resolver casamentos
Que andam por caminho errado.

Também vendo o folheto interminável
Pra explicar políticas e fraudes,
Pra ver sem ouvir discursos oficiais,
ou como enganar quem não sabe.

Também posso vender uma emergência,
um furúnculo, uma espinha, umas emendas,
um relógio de pulso ou a tristeza
de uma porta cansada de ser porta.

Se me apertam, vendo um pedaço de chão
Com elevador e vista pro inferno;
e por uma módica e mísera grana
Eu antecipo o próximo governo.

Posso vender ar e uma orelha
Que o Manolete cortou na pós-guerra;
uma aula de judô, uma dor de cabeça
Ou sua morte anunciada em um obituário.

Também troco romances por impressos,
Erros de português por "te amo",
Cem canhões por banda e chocalho
Por uma associação, como na minha cidade
Que os vivos e os mortos estão bem separados.

Composição: