Aysú, palavra em tupi cujo nome é amor
Carrego sangue brasileiro em tudo o que eu sou
Não me arrego, mas também não sou de ferro
Sustento e carrego aquilo que é mero
A natureza é meu acalento
Não invento, busco um intento, pois já dizia um sábio polêmico
Tens a ti mesmo e atrai tudo aquilo que é seu por direito
Sou luz, mas reconheço-me em sombra pra unir força naquilo que me afronta
Sou maior que brava onça
Aprendi que devo me conhecer primeiro
Antes de ceder ao outro meus sinceros preceitos
Vim pra terra e volto-me pra ela
Pois faço da ignorância resistência a tanto descaso, a tanta ganância
Deus existe, né?
Descobri que Deus é e que sou fruto dessa fonte como também tu és
Por isso eu canto e conto, minha arte denuncia aquilo que eu proponho
Vivo e me oponho
Sou alma, corpo e mente, energia que abre, expande
E com os erros sempre aprende
Faço deste rezo meu pedido sincero
Raiou o dia, o Sol já vem
Os pássaros dançando uma linda ciranda
No canto, a bonança da velha esperança
De dias melhores que nego não vê
Descarrega no rio um belo poraquê
Trago a força de maculelê
Um negro ferido, salvo pelos índios
Que lutou solitário pela sua tribo
Mais amor, menos genocídio
Tá no sangue, na raça, a raiz de uma história
Que tu nega, ignora, faz a divisória
Somos todos um do bem que incomoda
Mira a flecha certeira, seu tupiaçu
Brado forte guerreiro, voo de punaru
Guiará tukum, é tempo de glória
Amazônia tão rica se faz derradeira
Da tentativa egoísta do ser que anseia
Vigiai meu pai, a mãe natureza
Que o povo da terra seja feliz
Que a religião possa servir
Que as raças se aceitem como elas são
Diferente ou não, somos todos irmãos
Que o amor cure a dor que tu não reconheça
Que o perdão se banhe em naturaleza
Ginga capoeira no pé da aroeira
Olha a cachoeira, ventou, trouxe poeira
Junte a montoeira
Plante uma bananeira
Sem perder a estileira
Vá no pé da gameleira
Céu e terra, iroko, orixá
Que o povo da terra seja feliz
Que a religião possa servir
Que as raças se aceitem como elas são
Diferente ou não, somos todos irmãos
Que o amor cure a dor que tu não reconheça
Que o perdão se banhe em naturaleza
Ginga capoeira no pé da aroeira
Olha a cachoeira, ventou, trouxe poeira
Junte a montoeira
Plante uma bananeira sem perder a estileira
Vá no pé da gameleira
Céu e terra, iroko, orixá