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ENCANTO

Volmir Coelho

Meu pai me contou um dia, lembro até hoje da história
Que os bichos antigamente até sabiam falar
O tatu não tinha toca, se assuntava com os cachorros
Nem mesmo o compadre sorro tinha fama de roubar

O capicho se prendava, tranquilo pelos banhados
O seu traje colorado, reluzento de beijar
O sorriso era cheiroso, banhado em água de cheiro
Dizem que era mascateiro, gostava de namorar

O guará não era lobo, não perseguia os cordeiros
Mão pelada tinha os dedos compridos de tocador
A mullita flor do baile, sempre era mais desejada
E o lagarto se achava bonito e conquistador

A raposa era vaidosa, com seu vestido rodado
Fazendo zóio pintado pro bugio, que era o cantor
João-Barreiro, quero-quero, bem te vi e beija-flor
Marrecão, gralha e coruja, sabiá canário cantor
Todos eles se entendiam, acredito sim senhor
Todos eles se entendiam, acredito sim senhor

Meu pai me disse que um dia, a magia foi quebrada
Porque um bicho apareceu, assombrando a bichada
E ninguém mais se entendeu, veio a guerra, veio a fome
E o encanto foi quebrado
Pela maldade do homem
Pela maldade do homem

O guará não era lobo, não perseguia os cordeiros
Mão pelada tinha os dedos compridos de tocador
A mulita flor do baile, sempre era mais desejada
E o lagarto se achava bonito e conquistador

A raposa era vaidosa, no seu vestido rodar
Fazendo zóio pintado pro bugio que era o cantor
João-Barreiro, quero-quero, bem te vi e beija-flor
Marrecão, gralha e coruja, sabiá, canário cantor
Todos eles se entendiam, acredito sim senhor
Todos eles se entendiam, acredito sim senhor

Meu pai me disse que um dia, a magia foi quebrada
Porque um bicho apareceu, assombrando a bichada
E ninguém mais se entendeu, veio a guerra, veio a fome
E o encanto foi quebrado
Pela maldade do homem
Pela maldade do homem

Composição: Volmir Coelho