Dalva acorda antes da d’alva
Sem ter podido sonhar
Ajoelha-se diante da tábua
Na água do rio a passar
Com a roupa, ergue as mãos
A lavadeira em sua prece
Rezando pra mesa ter pão
Ao raio de Sol que amanhece
Bate suas roupas na tábua
Pra lenir as dores dos seus
Mãos judiadas de mágoa
Que ainda assim se erguem aos céus
Assim, desse mesmo feitio
Em que passam os anos de D'alva
Correm as nuvens no rio
Num céu de espumas alvas
O destino D'alva alvejou
E, hoje, no céu, é estrela
E a d’alva sem D'alva acordou
No rio que corre sem vê-la