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Libelo a Um Censor

Volmir Coelho

Quem condena uma palavra que não é de sua lavra
Tem rompantes de censor
Com que direito ele exclui um termo que constitui
O vocabulário do autor?

Quando o poeta se manifesta, não sabe o que se presta
Ao gosto do julgador
Como é possível conceber podar-se o escrever
Daquele que vai compor?

Perdoe, nobre juiz, mas um preconceito infeliz
Mata a voz de um sonhador
Por que será que o preciosismo incompreendeu o lirismo
Desse meu grito de dor?

Pois poeta e musicista são irmãos como artistas
E da arte fazem lida
Quem condena desse jeito, será que não traz no peito
Um coração fratricida?

Quem despreza um poema por questão tão pequena
Por certo comete crime
Por que ele fez censura a um texto que procura
Se opor a quem oprime?

Que pena que ele não viu, por ignorância proibiu
Um brado ao desatino
Por que querem calar quem se atreve a criticar
O genocídio palestino?

Composição: Volmir Coelho, Carlos Roberto Hahn