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A Cabana

Walber Costa

Oh, oh
Não, volte

Quatro histórias na mesma estrada
Risos soltos na madrugada
Promessas jogadas ao vento frio
Ninguém acredita no que já sumiu

Uma lenda esquecida no mapa
Uma sombra que nunca escapa
Dizem que quem entra não volta mais
Mas isso só faz rir demais

Mas a mata fecha devagar
E o silêncio começa a falar

A cabana chama pelo nome
Um por um, a noite consome
Passos ecoam, mas ninguém responde
E o medo cresce onde a luz se esconde

Se olhar pra trás, não vai ver ninguém
Só o vazio te seguindo também

Sete vozes viram seis no escuro
Um grito preso, um passo inseguro
Olhos atentos, respiração curta
A floresta engole, e nunca escuta

Quem foi? Pra onde foi?
Ninguém viu sair
Só o vento frio
E algo a sorrir

Agora não dá pra voltar
Algo começou a caçar

A cabana chama pelo nome
Um por um, a noite consome
Sombras dançam sob a Lua cheia
E a verdade corre nas veias

Se olhar pra trás, não vai ver ninguém
Só o vazio te seguindo também

Não era a mata
Não era o além

Era o rosto
De quem estava também

Entre nós, ele caminhava
Sorria baixo, observava
Cada passo já calculado
Cada medo, planejado

Amigo, irmão, rosto comum
Mas no escuro, era só um

Você nunca viu
Mas ele estava lá

Sempre o último
Sempre a olhar

A cabana nunca esteve vazia
Era ele quem conduzia
Os caminhos, os gritos, o fim
E agora, só resta a mim

Se olhar pra trás, eu sei quem é
Mas ele ainda está de pé

Andando sozinho na beira da estrada
Carrego os nomes, na mente cansada
Quatro histórias, viraram pó
E eu sigo vivo, mas nunca só

Porque no escuro, eu ainda vejo
O olhar dele, no retrovisor

Composição: Walber Costa