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A Raposa e o Lenhador (Unplugged)

Walber Costa

Seis da manhã, o aço encontrava a madeira
O suor no rosto, a vida inteira na lida
Em casa um tesouro, um berço a embalar
E uma raposa mansa, o menino a guardar
Eram mais que estranhos, uma estranha lealdade
Um laço invisível, uma amizade de verdade

Mas pela vila, a voz do povo a ecoar
O bicho é selvagem, não dá pra confiar
A fome desperta o instinto animal
Abra os olhos, lenhador, isso termina mal
Ele ria baixo: Isso é pura bobagem
Mas o veneno da dúvida manchou sua imagem

A voz de fora tenta destruir o que é nosso
Semeia o medo no terreno mais rochoso
Se você confia, não deixe o mundo te virar
Quem ouve o barulho de fora, esquece de amar

Um dia o cansaço cobrou o seu preço
A mente exausta, beirando o avesso
Voltou pro seu lar, no silêncio cortante
A raposa na porta, num olhar ofegante
Mas a boca manchada, um vermelho tão vivo
O sangue no pelo, o pavor instintivo

O lenhador não pensou, nem o ar ele usou
A cegueira do medo, o machado levantou
O golpe foi cego, a amiga caiu
A promessa quebrou, a razão se partiu

Correu para o quarto, o peito a rasgar
O filho dormindo, tão calmo a sonhar
Mas logo ali perto, o perigo final
Uma serpente abatida, o fim do mal
A raposa lutou, a raposa salvou
E o homem chorou, pelo que não enxergou

A voz de fora conseguiu destruir o que é nosso
Semeou o medo no terreno mais rochoso
Traiu a intuição, deixou o mundo virar
Tomou a decisão, e agora é só lamentar

Enterrou o machado, junto com a amiga
Debaixo da terra, a culpa castiga
Siga o seu caminho, não mude a direção
Não deixe que o outro escreva a sua canção
Não haja com a pressa de uma falsa razão
Nunca perca a bússola do seu coração

Composição: Walber Costa