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O Viajante

Walber Costa

Entrada gradual de shimmer + reverb
Bateria entra só no final do solo com tons suaves

Acreditei sem nunca ter visto
O fim é o lugar do começo
A ilusão de que há algo a ser feito
Ansioso por nem saber o que é isso

Você captura imagens no ar
Como se fossem realidade
E constrói certezas frágeis
Pra esconder a ansiedade

E eu vi
Nos seus olhos confusão
Entre o que é e o que será
Entre o toque e a imaginação

Mas tudo o que a gente ama vai passar
Mesmo quando a gente pede pra ficar
Tudo o que a gente ama vai mudar
Debaixo da marca do tempo a nos levar

E eu sei
A vida ainda vale a pena
Mesmo quando falta algo em nós

Imaginei um ser de pedra e martelo
Frio, forte, quase imortal
Mas diante dos mistérios do amor
Todo aço parece frágil e mortal

Você não entende por que a gente chora
Quando o tempo começa a levar
Tudo aquilo que parecia eterno
E não queria terminar

E eu sei
Que não dá pra segurar
O que nasceu pra se mover
O que vive pra escapar

Mas tudo o que a gente ama vai passar
Mesmo quando a gente pede pra ficar
Tudo o que a gente ama vai mudar
Como dois e dois são quatro, sem falhar

E eu sei
A vida ainda vale a pena
Mesmo quando falta algo em nós

Quadros, pratos, pôsteres na parede
Mas o essencial não dá pra ver
O que existe além dos olhos
É o que insiste em sobreviver

Eu imaginei um amor presente
Mesmo pronto pra partir
E deixei pedaços meus
Pra você ainda me sentir

Se eu for
Levo pouco, deixo em você
Os caminhos da ausência
Que ainda vão me manter

Tudo o que a gente ama vai passar
Mas ainda assim escolhe acreditar
Tudo o que a gente ama vai ficar
Naquilo que o tempo não pode apagar

E eu sei
Quando o coração acreditar
Ele sempre vai saber amar

Composição: Walber Costa