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Usar O Interno Para Fora

Walber Costa

Oh
Oh
Luzes que não vejo mais
Luzes que não vejo mais

Desde manhã até a noite
Eu me perco sem sinal
Não reconheço o cansaço
Que em mim virou normal

Eu não vivo, só respiro
Dentro de uma alma vazia
Sem um som dentro do peito
Sem eco na minha via

Da minha boca, silêncio
Mas eu preciso sentir
Forças que ainda não tenho
Mas ainda estão por vir

Usar o interno pra fora
Deixar a luz me tocar
Mesmo com a pele fria
Eu ainda posso amar

E na sangria do tempo
Sem medo de me perder
Não existe derrota
Se eu ainda posso ver

Oh, eu posso ver
Oh, eu posso ver

Sussurro promessas no escuro
Mas não sei mais me ouvir
Pensamentos em voz alta
Que não querem sair

Apago a luz, volto ao nada
Noite sem direção
Escuro como um sorriso
Perdido na multidão

Mas algo chama distante
Como um brilho a surgir
Mesmo em meio ao silêncio
Algo insiste em existir

Usar o interno pra fora
Deixar o som renascer
Mesmo sem ter respostas
Ainda posso viver

E através das nuvens densas
Vejo o dia chegar
Se eu der tempo ao meu tempo
Vou voltar a escutar

Oh, posso escutar
Oh, posso escutar

Eu estou terras distantes
Mas esse dia virá
Quando todas as nuvens
Vão embora do ar

Eu estou com você agora
Posso enfim te chamar
E no som do nosso silêncio
Vamos nos encontrar

Respirando o perigo
O abrigo a tremer
No mar da imagem perdida
Algo começa a crescer

A coragem quebrada
Ainda quer resistir
Espero a onda do tempo
Vir inteira até mim

Usar o interno pra fora
Deixar a luz me invadir
Mesmo no meio do caos
Eu escolho existir

Entre fogo e silêncio
Mesmo prestes a cair
Eu me lanço no escuro
Pra voltar a sentir

Oh, voltar a sentir
Oh, voltar a sentir

Estamos de pé no limiar
Entre o fogo e o respirar

Silêncio
Mas não mais vazio

Composição: Walber Costa