Não me importa mais
Escrever versos
Nas linhas do destino
Se, de todas as canções
Uma me desatina
A outra desafina
A última, nada mais
Não mais me interessam
Palavras tortas e acrobáticas
Que tentam sobreviver
À custa de um público
Desatento, mas solícito
Outrora, vinha-me o verbo
Agora, o silêncio
Antes, eu era um invento
Ora, sou estátua, professo
Ontem eu era poeta
Hoje, faço formas humanas
Contos abstratos e chamas
A chama
Que incandesce em mim
As letras e a arte (como se diz)
São de lápis de cera
Papel crepom e giz
Ah, se eu fosse uma rima
Formaríamos um verso
Se eu fosse um verso
Seríamos uma canção
Se eu fosse o inverso
Invadiria o teu coração!