Olho pra trás pra tentar seguir em frente
É dessa forma que ficou possível existir
Entre o lugar que habitei e que vi extinguir
Se quer a vida além da vida que se tente
Explicar o ontem quanto hoje é covardia
E acontece sem qualquer consentimento
Arranca dias, horas, sonhos, arranca cada momento
Nos entrega noite quando é preciso ser apenas dia
Talvez o que guardamos não nos valha nada
Se agora é tão distante a última alvorada
Que fez desse caminho a mais estranha estrada
Que não nos deixa ver o fim dessa jornada
Então nos deixa sós, nos deixa ser a tentativa
De quem já chorou a parte que não nos cabia
Por dentro do inferno que ao fim do dia
Nos serviu café, se fez canção mas sem sinestesia
Há de ter saudade sem trazer lembrança
Há de ter certeza em sua pior forma
Tudo o que existia agora nos transforma
Na canção do ontem a nos tirar pra dança
Então nos deixa sós, nos deixa ser a tentativa
De quem já chorou a parte que não nos cabia
Por dentro do inferno que ao fim do dia
Chutou-me a cara rindo enquanto eu me erguia
Há de ter saudade sem trazer lembrança
Há de ter certeza em sua pior forma
Tudo o que existia agora nos transforma
Na canção do ontem a nos tirar pra dança