Parte do que sinto é a saudade de casa
Parte do que digo é a vontade de ser
Nem que por um dia a criança correr
Pela chuva fina a pisar na poça d'água
Que ficou tão funda quando tive que aceitar
Que a criança em mim cresceu e viu aliciar
Todos seus desejos numa busca infinita
Que tornou a vida muito menos colorida
E agora estar de volta não tem mais hora marcada
Se o sábado é cinzento ou se o domingo displicente
E faz com que se coma quente
O único sabor que amarga a boca e depois trava
O peso de viver, a vida a nos cobrar
E então percebe-se em definitivo
Que até pra desistir
Não dá pra se esquecer
Que a vida é isso e ainda nos quer vivos
Parte do que finjo eu aprendi no dia a dia
E quem me ensinou partiu sem nem se despedir
Porque no mundo quando é preciso dividir
A gente sempre escolhe qualquer coisa que alivia
O corpo se arrasta e acredita que descansa
Por vezes, se doando sem qualquer humanidade
Talvez por isso se hoje alguém me perguntasse
O que ser ao crescer, diria outra vez: Eu quero ser criança
E assim me transformar
Em algo que se gosta
Viver sem perguntar
Sem exigir resposta
E assim
Nem que seja em um instante
Só assim
Ir adiante