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Já deu (E faz muito tempo)

Wendell Soares

Vendo agora é que percebo o motivo
Da última pandemia ter sido insuficiente
Porque mesmo evitando a todo custo tanta gente
Todo dia eu me assusto com o mesmo coletivo

Quando não são os de sempre, ainda vai
É claro que entendo quando eu cismo
Mas como contornar a vista à beira do abismo
Mem olhar terno pra vocês e apenas dizer: Cai!

Quem dera fosse o thanos com duas manoplas
Largando a ficção pra atender ao meu apelo
Que pode ser cometa, hecatombe ou maremoto
Aliás, também lhes cabem uma nova era do gelo

Aos mais zodiacais, engula uma estrela cadente?
Aos crentes fervorosos, aceitem a arrebatação
Que não demore tanto porque pregar num vagão
Tá foda e sendo foda, o fim do mundo é um presente

Que fiquem só os bichos, e talvez, também a Cher
O cara dos Stones e a Fernanda Montenegro
Quem sabe assim a terra, há de ter algum sossego
E o inferno receba o Moro, o Oruam e os de fé

Pra que não acredita, e quer o fim do ecossistema
Mas até que termine, não tem saco e nem traquejo
Pros fãs de Harry Potter, Beyoncé e sertanejo
E quem não tem vergonha de ver Barbie no cinema

Quem dera fosse o Cérebro num plano junto ao Pink
Ou para os masoquistas, sofrimento como sorte
A pressa é tanta que aceito a Estrela da Morte
Desde que não precise assistir essa bosta por um link

Aos mais positivistas, que despenquem de um prédio
Se tiverem acrofobia, afogamento ou veneno
Apenas me garantam que não há Carlos Moreno
Fazendo propagandas de bombril ou de remédio

Composição: Wendell Soares