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O Terço e a Bengala

Cidade Dormitório

Perdi o tesão
Não sei se pelos jogos ruins de futebol
Ou pela pornografia das redes sociais

Queria que entre a pessoa que aperta com força o terço
E aquela que segura a bengala pra se apoiar
Arrastar pra perto
E me arrastar pra fora

Pensar que o aperto me aperta de volta
Ou que o joelho se confunde com a madeira em que se apoia
Às vezes eu acho que penso demais

Queria que o ônibus que espero passasse mais rápido
Mas também que as paradas do percurso demorassem mais
Para que o medo decida descer um pouco antes de nós

Para que ao contrário da falta ou do excesso
Para que entre o físico, símbolo e o abjeto
Embarque por trás um insight capaz de nos fazer levantar

Para que ao contrário da falta ou do excesso
Para que entre o físico, símbolo e o abjeto
Embarque por trás um insight capaz de nos fazer evoluir

Queria que o ônibus que espero passasse mais rápido
Mas também que as paradas do percurso demorassem mais
Para que o medo decida descer um pouco antes de nós

Para que ao contrário da falta ou do excesso
Para que entre o físico, símbolo e o abjeto
Embarque por trás um insight que estava apenas ligeiramente atrasado

Composição: Yves Deluc