Estranho
As crianças olham pro céu, com os braços abertos
Tentando alcançar pássaros, nuvens e até sonhos
Aquela imagem era eu, que não sabia de nada até ontem
Acreditei que meus dedos chegariam até você
O céu e a terra se encontram lá longe
Uma estrada que chama viajantes do passado
Pra você, eu sou só um estranho que passou
Apenas um que olhou pra trás um instante
Me deixo levar pela onda de gente indo pro mercado
Perdido nas esquinas de paralelepípedos, balançando
Vozes de oração, um barulho como o som de cascos
A manhã branca passa, me deixando pra trás
Uma viagem no tempo cura as feridas do coração
De alguma forma, é uma estrada estranha que preenche
Escrevendo cartas que só dizem adeus, sem parar
E agora sou um estranho que não sabe o que fazer com a tristeza
E agora sou um estranho que não sabe o que fazer com a tristeza