Mil pro aluguel
Trezentos pro mercado
Duzentos e setenta
Pra investir no meu legado
Maldito emissário do capeta
Mentiu pra mim
Acreditei na ladainha
Falou que o errado era eu
Por gastar assim
E que a culpa era minha
Meteu na minha cabeça
Que é individual
Que eu tenho que escolher
Trabalho ou carnaval
Me fez acreditar que sou eu pobre
Por que não faço conta
E não dou conta de trabalhar
Sou preguiçoso, sou lerdo, sou espaçoso
Que não subi na vida
Por não me empenhar
A conta não fecha
A conta não fecha
Eu faço, refaço
E essa porra não fecha
Eu tiro daqui
Coloco de lá
Algum dia termino
De pagar meu celular
A conta não fecha
A conta não fecha
Eu pago, pago pago
E essa porra não fecha
Então me explica aí
De onde é que eu vou tirar
Se o meu tio é pobre
E não tem pra me emprestar
LCI ou LCA?
CDB ou RDB?
Cripto, BET, dólar ou avestruz?
Devo comprar comida
Ou dar dinheiro pra Jesus?
Proporção desleal
Matemática irreal
Dez por cento não é igual
Os seus compram iate
Os meus compram sal
Não sei se sou burro demais pra entender
Ou se todo esse esquema
É pensado pra me empobrecer
E fazer eu viver sem bater
De frente com quem só quer me foder
A conta não fecha
A conta não fecha
Eu faço, refaço
E essa porra não fecha
Eu tiro daqui
Coloco de lá
Algum dia termino
De pagar meu celular
A conta não fecha
A conta não fecha
Eu pago, pago pago
E essa porra não fecha
Então me explica aí
De onde é que eu vou tirar
Se o meu tio é pobre
E não tem pra me emprestar
Todo dinheiro de verdade
Vem do trabalho
E toda a riqueza
Da exploração
Não há como ser rico
Sem que direta ou indiretamente
Se explore o trabalho real
O salário que o trabalhador obtém pela sua atividade
É meramente pra prolongar
E reproduzir a sua simples existência
Pois os que na sociedade trabalham
Não ganham
E os que nela ganham
Não trabalham
A conta não fecha
A conta não fecha
Eu faço, refaço
E essa porra não fecha
Eu tiro daqui
Coloco de lá
Algum dia termino
De pagar meu celular
A conta não fecha
A conta não fecha
Eu pago, pago pago
E essa porra não fecha
Então me explica aí
De onde é que eu vou tirar
Se o meu tio é pobre
E não tem pra me emprestar
Composição: Higor Ernandes Ramos Silva, João Lucas França Franco Brandão, Marcos Paulo Costa Bonatti, Valdivino Pereira Neto