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Julgando a Deus

O Evangelho da Cruz

Letra

    Não há justiça verdadeira
    Sem imparcialidade.

    Então, se alguém ousar julgar
    Os atos de deus,
    Especialmente no antigo testamento,
    Deve ao menos buscar ser imparcial,
    E tudo bem examinar,
    Para se evitar
    Uma conclusão leviana,
    Em seu julgamento.

    Primeiro de tudo,
    Deve ser ponderado
    Porque sendo deus de amor,
    Atribuiu juízos capitais,
    De pena de morte,
    Para pessoas, povos, nações,
    Que andaram contrariamente
    À sua vontade.

    Muitos pensam precipitadamente
    Que já teríamos aí uma grande prova
    De que deus não é amor
    Conforme se afirma na palavra.

    Mas examinemos,
    Com vagar os fatos.

    Na verdade,
    Não foi deus
    O autor da morte,
    Mas o pecado.

    Ele chegou a advertir
    O primeiro casal criado,
    Que caso se afastassem dele
    Pela desobediência,
    E pela obstinação de viverem
    Fazendo a própria vontade,
    Isto traria como consequência
    A morte para eles
    E para toda a humanidade.

    Porque esta morte seria
    Antes de tudo, do espírito,
    Que sem comunhão
    Com o seu criador,
    Fica impossibilitado
    De qualquer adoração,
    Conhecimento do caráter divino,
    E de refletir tal caráter
    Em sua própria personalidade,
    Especialmente quanto aos atributos
    De longanimidade, misericórdia,
    Amor, benignidade,
    Paz e bondade.

    Ninguém foi criado para a morte,
    Mas para ter a vida eterna.
    Mas não podemos ter esta vida
    Vivendo com uma natureza
    Corrompida pelo pecado,
    A qual nos impede
    De sermos santos
    Assim como deus é santo.

    Então, concluímos
    Que o verdadeiro autor da morte
    É o pecado, porque impede
    A vida do espírito santificado,
    Que é necessária,
    Para se alcançar a eternidade.

    Desta forma,
    Quando deus estipulou
    Penas de morte
    Para determinados tipos
    De transgressões da sua lei divina,
    Na verdade,
    Estava sendo misericordioso
    Para com a humanidade,
    Ao lhe dar o aviso de que
    O viver na iniquidade produz morte,
    E morte espiritual eterna.

    Ora, quem temeria a morte física
    Estipulada na lei de moisés,
    Se vivesse de modo justo,
    Temente e correto?

    Ninguém seria punido
    Praticando o bem,
    Ou pelo menos se esforçando
    Em tal sentido.

    E ainda por cima,
    A lei não anulava
    O perdão da transgressão,
    Porque prescrevia a absolvição
    Pelo arrependimento.

    Assim, ponderemos
    Com toda a imparcialidade:
    Onde estava a falta de amor?
    Em deus ou no transgressor?

    Há muitas considerações
    Que podem ser apresentadas
    Quanto a este assunto,
    Não para que deus seja absolvido
    Da falsa e terrível acusação
    Que muitos costumam fazer
    De modo precipitado e errado.

    Contudo, consideramos,
    Que por esta única
    Reflexão apresentada,
    O assunto pode ser dado
    Por encerrado,
    Porque afinal,
    É um terreno muito perigoso
    Julgarmos a deus,
    A verdade, a sua palavra,
    Quando importa que não ele,
    Mas nós que sejamos julgados,
    Como efetivamente importa,
    Para que o senhor
    Possa preservar
    A vida de amor na terra,
    Pela extirpação e correção
    De tudo o que se opõe a ela.


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