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Espejismo n°7

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Espejismo n°7

Páginas en blanco y versos en el aire
mentiras en las que creer
Conjuros que nunca evitan el desastre
caminos por los que pase

Parábolas de santos y pendencieros
películas de serie B
Mujeres de almanaque de camioneros
trenes que yo ya tomé

Miles de vasos a medio beber
Huellas que uno quisiera creer
que la tierra es plana
y que tú vas a volver

Historias de psicoanalistas locos
canciones para conmover
Botellas verdes con líquido rojo
desiertos que una vez crucé

Peleas en la calle y versos en la sombra
algo había que hacer
Los recuerdos se amontonan debajo de la alfombra
pero hoy me olvidé barrer

Miles de vasos...

En papel celofán envuelvo mis sueños
mañana los regalaré
Mientras le daré gracias al cielo
la razón no sé cual es

Te acordarás de mí cuando ya esté muerto
que se le va hacer
Pero creo recordar que lo dijo Quevedo
que "Polvo enamorado seré"

Miles de vasos...

Aviones supersónicos se enredan en mis dedos
quien sabe por qué
Las telarañas que crecen en los huecos
no me dejan ver

A un poeta simbolista que nunca dirá negro
va leyendo el quién es quien
Mejor nos damos prisa que hoy tocan los cero
lo he visto en un cartel

Miles de vasos...

Espejismo n°7

Páginas em branco e versos no ar
mentiras nas quais acreditar
Feitiços que nunca evitam o desastre
caminhos por onde passei

Parábolas de santos e briguentos
filmes de série B
Mulheres de calendário de caminhoneiros
trens que eu já peguei

Milhares de copos pela metade
Marcas que a gente queria acreditar
que a terra é plana
e que você vai voltar

Histórias de psicanalistas malucos
canções para emocionar
Garrafas verdes com líquido vermelho
desertos que uma vez cruzei

Brigas na rua e versos na sombra
algo tinha que ser feito
As lembranças se acumulam debaixo do tapete
mas hoje eu esqueci de varrer

Milhares de copos...

Em papel celofane eu embrulho meus sonhos
e amanhã eu vou dar de presente
Enquanto agradeço ao céu
não sei qual é a razão

Você vai se lembrar de mim quando eu já estiver morto
o que se pode fazer
Mas acho que me lembro que o Quevedo disse
que "Pó apaixonado serei"

Milhares de copos...

Aviões supersônicos se enroscam nos meus dedos
quem sabe por quê
As teias de aranha que crescem nos buracos
não me deixam ver

A um poeta simbolista que nunca dirá negro
vai lendo o quem é quem
É melhor a gente se apressar que hoje tocam os zeros
eu vi isso em um cartaz

Milhares de copos...

Composição: