
Canção d'amores
1caracomum
O amor é ferida aberta
No peito de quem sofre desse mal tão bom
O amor
Enfermidade que traz vida
Que liberta, mas faz servos
Em seu reino de escravos voluntários
O amor
Dor que prostra, que sujeita e acorrenta à seus pés
Que derruba o mais valente, faz caí-lo descontente
O amor
Facho de luz em densas trevas, demônio do meio-dia
Assalto à meia-noite, cruel em seus açoites
Algoz cruel do inocente, que de um único dano é reincidente: Amar
Mesmo cobrando tão alto preço
Não há quem não lhe tenha apreço
Pois na vida é dádiva e milagre
Que do fim faz recomeço
E qual homem diante desta morte
Não desejou ser esta sua sina e sorte?
Ver sua vida como libação derramada
Em devoção e entrega aos pés de sua amada



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