La copa vacía
Ey, ey
Soy producto del veneno de una pulsión de infelices
Que intentando sembrar flores solo cosecharon grises
Crecí mirando promesas de diferentes matices
Con la boca llena es fe y en bolsillos cicatrices
Y si miramos la escena, acá se repite la historia
Que cada día que pasa nos venden sueños de gloria
Pero parece que avanzamos caminando hacia atrás
Aplaudiendo a los que mienten mientras todo sigue igual
Porque la gloria no llega en batallas ya perdidas
Los que juraron quedarse emprendieron la huida
Se borraron de los cuadros, de las fotos, de la mesa
Dejando solo migajas y discursos de pobreza
Y vivimos respirando, intentando, repitiendo
Sabiendo que si cumplimos los años nos van siguiendo
El tiempo pisa la vida, no pregunta, ni espera
Marca líneas en la cara y factura lo que queda
Entender que los hundidos del fondo vamos subiendo
Donde las bombas no llegan y seguimos resistiendo
No hay medallas ni flores, solo pulso y cicatrices
Pero seguimos de pie, aún que no vea lo que pise
Y hora la copa vacía
Cuando antes estaba llena
Brindábamos por el mañana
Sin saber lo que nos frena
Juntando nuestros pedazos
Intentando no dar pena
Sonrisas hoy remendadas
Para tapar las condenas
En palabras olvidadas
De una foto amarillenta
Borroneadas nuestras caras
Recordarlo también cuesta
Ahora la copa vacía
Cuando antes nos daban fe
Cuando antes nos daban fe
Hoy brindamos con silencio
Por lo poco que nos den
Por lo poco que nos den
Te fuiste un día mirando observando, bromeando, pensando, creyéndote que era mejor otros pagos
Pero en esa esquina te sigo esperando
Aunque las paredes se vayan despintando
Te fuiste un día midiendo, dudando, callando
Armando mil despedidas que nunca fui notando
Y en esa esquina te sigo nombrando
Aunque el tiempo y los sueños se sigan gastando
Perdí tu abrazo temblando, soltando, aguantando
Secando mil lágrimas que el alma fue guardando
Y en esa esquina me sigo quebrando
Llorando sin lágrimas, igual sigo esperando
Se apagó el abrazo esperando, temblando, quebrando
Sequé tantas lágrimas que terminé llorando
Y en esa esquina me sigo buscando
Aunque los ojos ya los estoy secando
Te fuiste sin un día pensarlo
Dejaste la puerta abierta
Abierta a las ilusiones
De ser felices de vuelta
A taça vazia
Ei, ei
Sou produto do veneno de uma pulsão de infelizes
Que tentando plantar flores só colheram cinzas
Cresci vendo promessas de diferentes matizes
Com a boca cheia é fé e nos bolsos cicatrizes
E se olharmos a cena, aqui se repete a história
Que a cada dia que passa nos vendem sonhos de glória
Mas parece que avançamos caminhando pra trás
Aplaudindo os que mentem enquanto tudo fica igual
Porque a glória não chega em batalhas já perdidas
Os que juraram ficar tomaram a fuga
Sumiram das fotos, da mesa, dos quadros
Deixando só migalhas e discursos de pobreza
E vivemos respirando, tentando, repetindo
Sabendo que se completamos os anos nos vão seguindo
O tempo pisa a vida, não pergunta, nem espera
Marca linhas no rosto e cobra o que sobrou
Entender que os afundados do fundo vamos subindo
Onde as bombas não chegam e seguimos resistindo
Não há medalhas nem flores, só pulso e cicatrizes
Mas seguimos de pé, mesmo sem ver o que piso
E agora a taça vazia
Quando antes estava cheia
Brindávamos pelo amanhã
Sem saber o que nos freia
Juntando nossos pedaços
Tentando não dar pena
Sorrisos hoje remendados
Pra cobrir as condenas
Em palavras esquecidas
De uma foto amarelada
Borradas nossas caras
Lembrar disso também custa
Agora a taça vazia
Quando antes nos davam fé
Quando antes nos davam fé
Hoje brindamos com silêncio
Pelo pouco que nos derem
Pelo pouco que nos derem
Você foi embora um dia olhando, observando, brincando, achando que era melhor em outros lugares
Mas naquela esquina eu ainda te espero
Mesmo que as paredes estejam desbotando
Você foi embora um dia medindo, duvidando, calando
Armando mil despedidas que nunca percebi
E naquela esquina eu ainda te nomeio
Mesmo que o tempo e os sonhos continuem se esgotando
Perdi seu abraço tremendo, soltando, aguentando
Secando mil lágrimas que a alma foi guardando
E naquela esquina eu ainda me quebro
Chorando sem lágrimas, ainda espero
Se apagou o abraço esperando, tremendo, quebrando
Sequei tantas lágrimas que terminei chorando
E naquela esquina eu ainda me busco
Mesmo que os olhos já estejam secando
Você foi embora sem pensar um dia
Deixou a porta aberta
Aberta para as ilusões
De sermos felizes de novo