Déluge
Sur les toits de cette citée morne ruisselle l’eau, ondulantes rigoles
Comme les larmes qui s’épanchent sur la peau tendue des endeuillés
Dont les habits noirs étanchent les ondées
Déchirante amertume des larmes dans le vent
Jeté des entrailles d’un ciel dont le ventre sale s’effondre
Le fléau s’abat
La pluie noire ici s’acharne, battant les pavés
Sous la charge démesurée de percussions immenses
L’eau qui porte l’immondice s’épanche puis déborde
Charriant le reflux de marées impures
Dans un cloaque aux milles boyaux
Eaux funestes
Grandes pluies
Diluviennes
Meurtrie par la rage aveugle de l’empyrée
La ville lasse s’éveille sous le règne de l’hélianthe
De douçâtres effluves s’élèvent des ruelles trempées
Chemins semés de miroirs
Tourmentés par l’urgence d’un vent tenace
aguaceiro
Nos telhados desta cidade sem graça, a água ondula, canais ondulados
Como as lágrimas que fluem sobre a pele tensa dos enlutados
Cujas roupas pretas saciam os chuveiros
Rasgando amargura das lágrimas ao vento
Jogado das entranhas de um céu cuja barriga suja cai
A praga cai
A chuva negra aqui explode, batendo nos paralelepípedos
Sob a imensa carga de imensa percussão
A água que transporta a sujeira derrama e transborda
Carregando o refluxo das marés impuras
Em uma fossa com mil tripas
Águas mortais
Boa chuva
torrencial
Assassinato pela fúria cega dos empíreaes
A cidade cansada desperta sob o reinado de helianthe
Lindos aromas sobem pelas ruas encharcadas
Caminhos com espelhos
Atormentado pela urgência de um vento tenaz
Composição: Benoît Sicard