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O Bolo e o Neto

A. R. Berdiales

El Bolo Y El Neto

Faime muita gracia ouir
a típica conversación de un bolo y sou neto
en pleno verao.
El neto adolescente el bolo xa jubilao
ua mezcla carayuda, un coctel molotov.
Abúrrome bolito, nun sei que carayo fer
este pueblo eche un rollo, nun e pra min.
Xura Dios, si te aburres e mialma porque qués
hay abondo trabayo nel eiro que podes ir fer.
Xa lo sei pero e que el eiro nun ta feito pra min
y el alergia que me sale debe ser de´l.
Tu a lo que teis alergia e a doblar el l(l)ombo aquí
tias que ver con os tous años unde taba eo.
Eran outros tempos bolo, trabayábais como cáis
nun querrás a misma vida pra´l tou netequín.
Teis bon cuento cadelo, nun che da miga de vergonza
ver a os tous padres sufrir todo el día reventaos.
A culpa eche d´el(l)os sempre tan con trabayar
nun salen nunca d´a casa ni pra ir al mercao
Sacateme de delante sempre tas ven folgadón
coye ese garrucho y vei sachar el cebollín.
Entre tanto chegan os padres,
que vian de atender el gao
sin ganas de muita comedia
reventaos de tanto l(l)abor
Escuitan a ous outros dous lloubos
yanxindo como tol(l)os
y pensan en salir correndo por a curtía llonxe de al(l)í
Xa tan bolito y el neno amarrándose outra vez
nun sei que vai a ser de nosoutros,
temos el cielo ben ganao
Cal(l)ai de ua puta vez, e que sempre tais igual
Verra que te verra espantando nos vecíos
Sempre se enteran todos de lo que pasa aquí
y despós sempre vos critican nos puestos del mercao
Mereceis uas buas xestruadas
nun tedes miga de compasión
Vamos, nia, vamos pra cama,
que me perdo con estos dous.

O Bolo e o Neto

Me faz muita graça ouvir
a típica conversa de um bolo e seu neto
no pleno verão.
O neto adolescente, o bolo já aposentado
uma mistura doida, um coquetel molotov.
Tô me entediando, bolito, não sei que caramba fazer
essa cidade é um tédio, não é pra mim.
Juro a Deus, se você tá entediado e minha alma porque quer
tem muito trabalho no campo que você pode ir fazer.
Já sei, mas é que o campo não foi feito pra mim
e a alergia que me dá deve ser dele.
Você tem alergia é de dobrar o lombo aqui
você tem que ver com os seus anos onde tava eu.
Eram outros tempos, bolo, vocês trabalhavam como loucos
não quereria a mesma vida pro seu neto.
Tem um bom conto, cadelo, não te dá vergonha
ver os pais de vocês sofrerem o dia todo quebrados.
A culpa é deles, sempre tão com trabalho
nunca saem de casa nem pra ir ao mercado.
Sai da minha frente, sempre tão folgadão
pega esse garfo e vai colher a cebola.
Enquanto isso, chegam os pais,
que vinham atender o gado
sem vontade de muita comédia
quebrados de tanto trabalho.
Escutam os outros dois lobos
gritando como tontos
e pensam em sair correndo pra longe dali.
Já tão bolito e o menino se amarrando de novo
não sei o que vai ser de nós,
temos o céu bem ganho.
Cala a boca de uma vez, é que sempre tá igual
Verra que te ver espantando os vizinhos.
Sempre se inteiram de tudo que acontece aqui
e depois sempre criticam a gente nos lugares do mercado.
Merecem umas boas estruadas
não têm nada de compaixão.
Vamos, minha, vamos pra cama,
que eu me perco com esses dois.