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Meu velho querido

Abel Aznar

Mi viejo querido

(recitado)
La vida se cobró caro,
mil veces quise volver,
hoy que lo hago arrepentido
usted, mi viejo querido,
me perdona y para qué.

(cantado)
No tire la bronca viejo, no me diga nada, nada,
yo no sé si pa' ser hombre se precisa un tropezón.
si una biaba en pleno cuore nos achica la parada,
pero recibí una biaba que fue más que una lección.
Me engrupí con el apoyo de la barra de la esquina
y por culpa de esa barra me hice guapo de café.
Engrupido por el calce que me dieron cuatro minas,
con el mate trastornado de esta casa me pianté.

No llores, viejo querido,
déjeme llorar a mí,
déjeme que arrepentido
abra mi pecho oprimido
para llorar lo que fui.
La vieja, la pobre vieja,
quiero verla adónde está.
¿Por qué se queda callado?
Comprendo soy un malvado,
ni Dios me perdonará.

No me diga, pobrecita, que hace solo una semana
con el alma acongojada, destrozado el corazón,
como tantas tardecitas, asomada a la ventana,
esperó que yo volviera por el mismo callejón.
Y perdida la esperanza no aguantó la madrugada,
con mi nombre entre sus labios, para siempre se durmió.
Basta viejo, se lo ruego, no puedo escuchar más nada,
pero usted no me perdone lo que mama perdonó.

Meu velho querido

(recitado)
A vida cobrou caro,
mil vezes quis voltar,
hoje que faço isso arrependido
você, meu velho querido,
me perdoa e pra quê.

(cantado)
Não fique bravo, velho, não me diga nada, nada,
eu não sei se pra ser homem precisa de um tombo.
se uma pancada no coração nos faz perder a parada,
mas recebi uma porrada que foi mais que uma lição.
Me empolguei com o apoio da galera da esquina
e por causa dessa galera me fiz de macho no bar.
Empolgado pelas gatas que me deram moral,
com o mate bagunçado dessa casa eu me mandei.

Não chore, meu velho querido,
deixe eu chorar por mim,
deixe eu, arrependido,
abrir meu peito oprimido
pra chorar o que eu fui.
A velha, a pobrezinha,
quero ver onde está.
Por que fica calado?
Entendo, sou um malvado,
nem Deus vai me perdoar.

Não me diga, coitadinha, que faz só uma semana
com a alma despedaçada, o coração em pedaços,
como tantas tardes, encostada na janela,
esperou que eu voltasse pelo mesmo beco.
E perdida a esperança não aguentou a madrugada,
com meu nome entre os lábios, pra sempre se apagou.
Chega, velho, eu imploro, não consigo ouvir mais nada,
mas você não me perdoe o que a mamãe perdoou.