Exibições da letra 2

MORTOS QUE ANDAM

Abismo Cavado e Medicado

Acordam sem sonho, andam sem rumo
Comem o tempo que já era escasso e agora é nenhum
Olhos abertos, mas ninguém vê
Respiram o hábito, não sabem mais o porquê

Não é morte, é rotina que mata devagar
Não é vida, é o corpo que insiste em continuar

Mortos que andam sob luz de escritório
Vivem por hábito, não por vitória
Carne que caminha, alma já foi
Sobrevivem, viver, isso não sei se é o que sou

A multidão se move em fileira, sem pergunta
Cada tela mais um prego na própria cova aberta
Ninguém decide, todos repetem o gesto
Um funeral disfarçado de dia de trabalho honesto

Talvez a morte fosse mais honesta
Do que esse andar sem festa, sem resposta

Mortos que andam sob luz de escritório
Vivem por hábito, não por vitória
Carne que caminha, alma já foi
Sobrevivem, viver, isso não sei se é o que sou


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