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Saudades do Velho Carro

Acácio e Cacinho

Letra

    Quando vejo o velho carro
    Na sombra do angiqueiro
    Já roído pelos anos
    Com mais de trinta janeiros

    Com o cabeçalho quebrado
    E os cocão já apodreceram
    Bem poucas coisas restaram
    Do meu tempo de carreiro

    Minha boiada carreira
    Há tempos que já morreu
    Mas eu guardei por lembrança
    O chifre de um boi ligeiro

    Uma vara de ferrão
    Uma canga e um candeeiro
    Um laço de doze braças
    Do couro de um pantaneiro

    Meu carro cantava triste
    Lá no alto do espigão
    Naquelas manhãs de frio
    Cortava aquele sertão

    Com quatro juntas de bois
    Passos lentos pelo chão
    De muito longe se ouvia
    O gemido dos cocão

    No meu tempo de carreiro
    Muitas proezas eu fazia
    Quantas toras enjeitadas
    Que do mato elas saía

    Eu gritava com a boiada
    E os tamoeiros gemia
    Não precisava de auxílio
    Porque Deus me protegia

    Aqui dentro do meu peito
    Só as saudades ficou
    Quanto mais o tempo passa
    Mais aumenta a minha dor

    Eu não vejo mais boiada
    E nem carro cantador
    Hoje ronca um caminhão
    Onde meu carro cantou


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