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Galponeiras Emoções

Adair de Freitas

Letra

    Só quem teve a paz serena
    Do aconchego dos galpões
    E viveu as emoções
    Da campeira convivência

    Retempera o sentimento
    E arrocina suas ânsias
    Tem orgulho de ser de estãncia
    E não renega sua essência

    Só quem sabe do fascínio
    Do clarão das labaredas
    Que atropelam de vereda
    Do potreiro da memória

    E nos gritos do silêncio
    Dentro da alma dos campeiros
    É quem pode ser herdeiro
    Pra cantar suas histórias

    Se contasse as madrugadas
    Que aos meus olhos renasceram
    E as sevaduras de ervas
    Que mateei junto ao fogão
    Com certeza encontraria
    A emoção de alguns recuerdos
    As razões do meu apego
    Dessa vida de galpão

    Só pra quem viu entre as frestas
    Do sol quente das manhãs
    Matizando a picumã
    Deste santuário crioulo

    E aparou gotas de geada
    N’algum agosto sebruno
    Conhece o mundo reiuno
    Da solidão sem consolo

    Quem não conhece o galpão
    E os corações galponeiros
    Não trate o homem campeiro
    Com desprezo e arrogância

    Pois eles não esqueceram
    Que os pais, dos pais já diziam
    Que os sábios se distanciam
    Para encurtar as distâncias


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